PRONTUÁRIO E CFP
Anamnese psicológica: o que perguntar e como estruturar (modelo)
Estrutura completa da anamnese: identificação, queixa, história, avaliação e hipóteses — com o racional de cada bloco e erros comuns.
A anamnese é a fundação do caso: é nela que a queixa vira demanda, a história vira contexto e as primeiras hipóteses ganham forma. Uma anamnese bem estruturada economiza meses de trabalho às cegas — e uma mal feita se paga com juros.
A estrutura em 7 blocos
1. Identificação
Nome, data de nascimento, contato, com quem mora, ocupação, encaminhamento (quem indicou, se veio de outro profissional). No prontuário digital, esse bloco já fica vinculado ao cadastro — sem redigitar.
2. Queixa principal
Nas palavras do paciente, entre aspas quando possível. "Não durmo direito desde março" diz mais do que "insônia". Registre também o que o paciente espera do processo.
3. História da queixa atual
Início, evolução, gatilhos, fatores de melhora e piora, impacto funcional (trabalho, relações, sono, apetite). Tratamentos anteriores e resultados.
4. História de vida
Desenvolvimento, família de origem, escolaridade, relações significativas, eventos marcantes, perdas. Profundidade proporcional à demanda — anamnese não é biografia.
5. Saúde e uso de substâncias
Condições médicas, medicações em uso (com prescritor), histórico psiquiátrico, internações, uso de álcool e outras substâncias. Fundamental para o trabalho conjunto com psiquiatria.
6. Avaliação do estado mental
Apresentação, orientação, humor e afeto observados, curso do pensamento, sinais de risco. Risco de suicídio se avalia ativamente, não se espera surgir — pergunte.
7. Hipóteses e plano inicial
Hipótese diagnóstica (quando aplicável, com CID), demanda formulada, contrato terapêutico proposto (frequência, modalidade, valores combinados).
Adaptações por público
- Infância: inclua entrevista com responsáveis, história escolar, marcos do desenvolvimento e dinâmica familiar; a queixa "da criança" muitas vezes é a queixa da família.
- Casal: anamnese individual + conjunta; história da relação como eixo.
- Avaliação psicológica (não psicoterapia): a anamnese segue o objetivo do processo avaliativo e os instrumentos previstos.
Erros comuns
- Formulário gigante aplicado como interrogatório — anamnese é escuta guiada, não checklist lido em voz alta;
- Pular a avaliação de risco por desconforto;
- Registrar tudo, sem filtro clínico — o documento deve servir à continuidade, não ser um diário do paciente;
- Nunca revisitar — a anamnese abre o caso, mas hipóteses se atualizam na evolução.
Anamnese no prontuário eletrônico
No Theravus, a anamnese é um template estruturado nesses blocos: você preenche na sessão ou dita depois, a IA organiza o texto, e o documento fica versionado no prontuário do paciente — pesquisável, com data e autoria. As evoluções seguintes nascem ligadas a ela.